Além da Terra, Nas Estrelas…

Mensagens espiritualistas

28 28UTC setembro 28UTC 2009

Dá de ti mesmo

 

Declaraste não possuir dinheiro
para auxiliar.
Acreditas que um pouco de papel
ou um tanto de níquel te substituem o coração?

Esqueces-te, meu filho, de que podes sorrir
para o doente e estender a mão ao necessitado?

A flor não traz consigo uma bolsa de ouro
e entretanto espalha perfume no firmamento.

O céu não exibe chuvas de moedas,
mas enche o mundo de luz.

Quanto pagas pelo ar fresco que,
em bafejos amigos, te visita o quarto pela manhã?

O oxigênio cobra-te imposto?

Quanto te custa a ternura materna?

As aves cantam gratuitamente.

A fonte que te oferece o banho
reconfortador não exige mensalidade.

A árvore abre-te os braços acolhedores,
repletos de flor e fruto, sem pedir vintém.

A bênção divina, cada noite, conduz
o teu pensamento a bendito repouso
no sono e não fazes retribuição de espécie alguma.

Habitualmente sonhas, colhendo rosas
em formoso jardim, junto de companheiros felizes;
no entanto, jamais te lembraste de agradecer
aos gênios espirituais que te proporcionam venturoso descanso.

A estrela brilha sem pagamento.

O    Sol não espera salário.

Porque não aprenderes com a Natureza em torno?

Porque não te fazeres mais alegre,
mais comunicativo, mais doce?

Tens a fisionomia seca e ensombrada
por faltar-te dinheiro excessivo e reclamas
recursos materiais para ser bom,
quando a bondade não nasce dos cofres fortes.

Sê irmão de teu irmão,
companheiro de teu companheiro,
amigo de teu amigo.

Na ciência de amar, resplandece a sabedoria de dar.

Mostra um semblante sereno e otimista, aonde fores.

Estende os braços, alonga o coração,
comunica-te com o próximo, através
dos fios brilhantes da amizade fiel.

Que importa se alguém te não entende
o gesto de amor?

Que seria de nós, meu filho,
se a mão do Senhor se recolhesse a distância,
por temer-nos a rudeza e a maldade?

Dá de ti mesmo, em toda parte.

Muito acima do dinheiro, pairam
as tuas mãos amigas e fraternais.

Pelo espírito de Neio Lucio
psicografia Chico Xavier
do Livro alvorada Cristã

criado por tahyane    12:25 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

5 05UTC julho 05UTC 2009

O Espírito da Maldade

-Neio Lucio-

O Espírito da Maldade, que promove aflições
para muita gente, vendo, em determinada manhã,
um ninho de pássaros felizes, projetou destruir
as pobres aves.

A mãezinha alada, muito contente, acariciava
os filhotinhos, enquanto o papai voava,
à procura de alimento.

O Espírito da Maldade notou aquela imensa
alegria e exasperou-se.
Mataria todos os passarinhos, pensou consigo.
Para isto, no entanto, necessitava de alguém
que o auxiliasse.

Aquela ação exigia mãos humanas.
Começou, então, a buscar a companhia das crianças.
Quem sabe algum menino poderia obedecê-lo?
Foi a casa de Joãozinho, filho de Dona Laura,
mas Joãozinho estava muito ocupado na assistência
ao irmão menor, e, como o Espírito da Maldade
somente pode arruinar as pessoas insinuando-se
pelo pensamento, não encontrou meios de dominar
a cabeça de João.

Correu à residência de Zelinha, filha de Dona Carlota.
Encontrou a menina trabalhando, muito atenciosa,
numa blusa de tricô, sob a orientação materna, e,
em vista de achar-lhe o cérebro tão cheio
das idéias de agulha, fios de lã e peça por acabar,
não conseguiu transmitir-lhe o propósito infeliz.

Dirigiu-se, então, à chácara do senhor Vitalino,
a observar se o Quincas, filho dele, estava
em condições de servi-lo. Mas Quincas,
justamente nessa hora, mantinha-se, obediente,
sob as ordens do papai, plantando várias mudas
de laranjeiras e tão alegre se encontrava,
a meditar na bondade da chuva e nas laranjas
do futuro, que nem de leve percebeu as idéias
venenosas que o Espírito da Maldade
lhe soprava na cabeça.

Reconhecendo a impossibilidade de absorvê-lo,
o gênio do mal lembrou-se de Marquinhos,
o filho de Dona Conceição.
Marquinhos era muito mimado pela mãe,
que não o deixava trabalhar e lhe protegia
a vadiagem.

Tinha doze anos bem feitos e vivia de casa em casa
a reinar na preguiça.
O Espírito da Maldade procurou-o e encontrou-o,
à porta de um botequim, com enorme cigarro à boca.
As mãos dele estavam desocupadas e a cabeça vaga.

- "Vamos matar passarinhos?"
- disse o espírito horrível aos ouvidos
do preguiçoso.

Marquinhos não escutou em forma de voz,
mas ouviu em forma de idéia.

Saiu, de repente, com um desejo incontrolável
de encontrar avezinhas para a matança.

O Espírito da Maldade, sem que ele o percebesse,
conduziu-o, fàcilmente, até à árvore
em que o ninho feliz recebia as carícias do vento.

O menino, a pedradas criminosas, aniquilou pai,
mãe e filhotinhos. O gênio sombrio tomara-lhe as mãos e,
após o assassínio das aves, levou-o a cometer
muitas faltas que lhe prejudicaram a vida,
por muitos e muitos anos.

Somente mais tarde é que Marquinhos compreendeu
que o Espírito da Maldade somente pode agir, no mundo,
por intermédio de meninos vadios ou de homens
e mulheres votados à preguiça e ao mal.
 
 
Neio Lucio/Chico Xavier
do Livro Alvorada Cristã
 

criado por tahyane    14:53 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

1 01UTC julho 01UTC 2009

A Lenda da Árvore

 

-Neio Lúcio-
 
No princípio do mundo, quando os vários reinos
da Natureza já se achavam apaziguados e enquanto
o ouro e o ferro repousavam no sub-solo,
o homem, os animais de grande porte, os passarinhos,
as borboletas, as ervas e as águas viviam
na superfície da Terra… E o Supremo Senhor,
notando que os serviços planetários se desdobravam
chamou-os ao seu Trono de Luz, a fim de ouvi-los.
 
A importante audiência do Todo-Poderoso
começou pelo Homem, que se aproximou do Altíssimo
e informou:
 
— Meu Pai, o globo terrestre é nossa gloriosa oficina.
Minha esposa, tanto quanto eu, se sente muito feliz;
entretanto, experimentamos falta de alguém que
nos faça companhia, em torno do lar,
e nos auxilie a criar os filhinhos.
 
O Todo-Misericordioso mandou anotar 
a referência do Homem e continuou 
a ouvir as outras criaturas.
 
Veio o Boi e falou:
 
— Senhor, estou muito bem; contudo,
vagueio sem descanso  durante as horas de sol.
Grande é a minha fadiga  e a resistência
cada vez menor…
 
Veio o Cavalo e reclamou:
 
— Eu também, Grande Rei,  sinto aflitivo
calor cada dia…
 
Aproximou-se a Corça e rogou:
 
— Poderoso, estou exposta à perseguição de toda gente.
Não terei a graça de um ser amigo que me proteja e defenda?
 
Logo após, surgiu gracioso passarinho e suplicou:
 
— Celeste Monarca, recebi a bênção da vida,
mas não tenho recursos para fazer meu ninho.
Nas pastagens rasteiras, não posso construir a casa…
 
Adiantou-se a Borboleta e implorou:
 
— Meu Deus, tudo é belo no mundo;
todavia, onde repousarei?
 
Em último lugar, chegou o Rio e disse:
 
— Grande Senhor, venho cumprindo os meus deveres na Terra, 
escrupulosamente, mas preciso de alguém
que me ajude a conservar as águas…
 
O Supremo Soberano ficou pensativo
e prometeu providenciar.
No dia imediato, toda a Terra apareceu diferente.
As árvores robustas e acolhedoras haviam surgido,
representando a sublime resposta de Deus.

criado por tahyane    12:36 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

6 06UTC junho 06UTC 2009

O Pior Inimigo

 

Um homem, admirável pelas qualidades de trabalho
e pelas formosas virtudes do caráter, foi visto
pelos inimigos da Humanidade que conhecemos por
Ignorância, Calúnia, Maldade, Discórdia,
Vaidade, Preguiça e Desânimo,
os quais tramaram, entre si, agir contra ele,
conduzindo-o à derrota.

O    honrado trabalhador vivia feliz,
entre familiares e companheiros, cultivando o campo
e rendendo graças ao Senhor Supremo pelas alegrias
que desfrutava no contentamento de ser útil.

A Ignorância começou a cogitar da perseguição,
apresentando-o ao povo como mau observador
das obrigações religiosas.
Insulava-se no trato da terra, cheio de
ambições desmedidas para enriquecer
à custa do alheio suor.

Não tinha fé, nem respeitava os bons costumes.

O lavrador ativo recebeu as notícias do adversário
que operava, de longe, sorriu calmo
e falou com sinceridade:
- A Ignorância está desculpada.

Surgiu, então, a Calúnia e denunciou-o às autoridades
por espião de interesses estranhos.
Aquele homem vivia, quase sozinho, para melhor
comunicar-se com vasta quadrilha de ladrões.
O serviço policial tratou de minuciosas averiguações e,
ao término do inquérito vexatório,
a vítima afirmou sem ódio:
- A Calúnia estava enganada.
E trabalhou com dobrado valor moral.

Logo após, veio a Maldade, que o atacou de mais perto.
Principiou a ofensiva, incendiando-lhe o campo.
Destruiu-lhe milharais enormes, prejudicou-lhe a vinha,
poluiu-lhe as fontes.
Todavia, o operário incansável,
reconstruindo para o futuro, respondeu, sereno:
- Contra as sombras do mal, tenho a luz do bem.

Reconhecendo os perseguidores que haviam encontrado
um espírito robusto na fé, instruíram a Discórdia
que passou a assediá-lo dentro da própria casa.
Provocações cercaram-no de todos os lados e,
a breve tempo, irmãos e amigos da véspera
relegaram-no ao abandono.
O servo diligente, dessa vez, sofreu bastante,
mas ergueu os olhos para o Céu e falou:
- Meu Deus e meu Senhor, estou só, no entanto,
continuarei agindo e servindo em Teu Nome.
A Discórdia será por mim esquecida.

Apareceu, então, a Vaidade que o procurou
nos aposentos particulares, afirmando-lhe:
- És um grande herói… Venceste aflições e batalhas!
Serás apontado à multidão na auréola
dos justos e dos santos!…
O trabalhador sincero repeliu-a, imperturbável:
- Sou apenas um átomo que respira.
Toda glória pertence a Deus!
Ausentando-se a Vaidade com desapontamento,
entrou a Preguiça e, acariciando-lhe a fronte
com mãos traiçoeiras, afiançou:
- Teus sacrifícios são excessivos… Vamos ao repouso!
Já perdeste as melhores forças!…

Vigilante, contudo, o interpelado replicou sem hesitar:
- Meu dever é o de servir em benefício de todos,
até ao fim da luta.
Afastando-se a Preguiça vencida, o Desânimo compareceu.
Não atacou de longe, nem de perto.
Não se sentou na poltrona para conversar,
nem lhe cochichou aos ouvidos.
Entrou no coração do operoso lavrador e,
depois de instalar-se lá dentro, começou
a perguntar-lhe:

- Esforçar-se para quê? servir porquê?
Não vê que o mundo está repleto de colaboradores
mais competentes? que razão justifica tamanha luta?
quem o mandou nascer neste corpo?
não foi a determinação do próprio Deus?
não será melhor deixar tudo por conta de Deus mesmo?
que espera? sabe, acaso, o objetivo da vida?
tudo é inútil… não se lembra de que a morte
destruirá tudo?

O homem forte e valoroso, que triunfara
de muitos combates, começou a ouvir as interrogações
do Desânimo, deitou-se e passou cem anos sem levantar-se…
 
 
pelo espírito de Neio Lúcio
psicografia Chico Xavier
do Livro Alvorada Cristã
  

criado por tahyane    15:42 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

17 17UTC março 17UTC 2009

Na Direção do Bem

 

-Neio Lúcio-

O Senhor tudo criou na direção do bem.
Todas as criaturas, por isto,
são chamadas a produzir proveitosamente.

A erva tenra sustenta os animais.
A fonte oculta socorre o inseto humilde.
A árvore é abençoada companheira dos homens.
A flor produzirá fruto.
O fruto dar-nos-á mesa farta.
O rio distribui as águas.
A chuva lava o céu e sacia a terra sedenta.
A pedra faz o alicerce de nossa casa.
A boa palavra revela o bom caminho.

Como desconhecer os santos propósitos da vida,
se a natureza que a sustenta reflete os sábios
desígnios da Providência?

Grande escola para o nosso espírito,
a Terra éum livro gigantesco em que podemos
ler a mensagem de amor universal
que o Pai Celeste nos envia.

Desde a gota de orvalho que alimenta
o cacto espinhoso, à luz do Sol que brilha no alto
para todos os seres, podemos sentir o apelo
da Infinita Sabedoria ao serviço de cooperação
na felicidade, na paz e na alegria dos semelhantes.

Todo homem e toda mulher nascem no mundo
para tarefas santificantes, segundo a Divina Lei.

Com alegria, o bom administrador
governa os interesses do povo.

Com alegria, o bom lavrador
ara o solo e protege a sementeira.

O homem que semeia no chão, garantindo a subsistência
das criaturas, é irmão daquele que dirige o pensamento
das nações para o conhecimento divino.

A mulher que recebe homenagens pelas suas virtudes
públicas é irmã daquela que, na intimidade do lar,
se sacrifica pela criancinha doente.

Deus conhece as pessoas pelo que produzem,
assim como nós conhecemos as árvores
pelos frutos que nos estendem.

Em razão disto, os homens bons
são amados e respeitados.

A presença deles atrai o carinho
e a veneração dos semelhantes.

Os maus, todavia, são portadores de ações
e palavras indesejáveis e toda gente lhes evita
o convívio, tanto quanto nos afastamos
das plantas espinhosas e ingratas.

O homem bom compreende que a vida lhe pede
a bênção do serviço e levanta-se cada manhã,
pensando:
- "Que belo dia para trabalhar!"

-O mau, porém, ergue-se de mau humor.
Não sabe sorrir para os que o cercam
e costuma exclamar: - "Dia terrível!
Que destino cruel!
Detesto o trabalho e odeio a vida!"
Um homem, qual esse, precisa de auxílio dos homens bons,
porque em não se dedicando ao serviço digno
será realmente muito infeliz.

pelo espírito de Neio Lúcio
psicografia Chico Xavier
do Livro Alvorada Cristã

criado por tahyane    11:22 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

14 14UTC janeiro 14UTC 2009

A Lenda da Árvore

 


 

-Neio Lucio-

No princípio do mundo, quando os vários reinos da Natureza
já se achavam apaziguados e enquanto o ouro e o ferro
repousavam no sub-solo, o homem, os animais de grande porte,
os passarinhos, as borboletas, as ervas e as águas viviam
na superfície da Terra… E o Supremo Senhor, notando que
os serviços planetários se desdobravam
chamou-os ao seu Trono de Luz, a fim de ouvi-los.

A importante audiência do Todo-Poderoso
começou pelo Homem, que se aproximou do Altíssimo e informou:

— Meu Pai, o globo terrestre é nossa gloriosa oficina.
Minha esposa, tanto quanto eu, se sente muito feliz;
entretanto, experimentamos falta de alguém
que nos faça companhia, em torno do lar,
e nos auxilie a criar os filhinhos.

O Todo-Misericordioso mandou anotar
 a referência do Homem e continuou
a ouvir as outras criaturas.

Veio o Boi e falou:

— Senhor, estou muito bem; contudo, vagueio sem descanso
 durante as horas de sol. Grande é a minha fadiga
 e a resistência cada vez menor…

Veio o Cavalo e reclamou:

— Eu também, Grande Rei,
 sinto aflitivo calor cada dia…

Aproximou-se a Corça e rogou:

— Poderoso, estou exposta à perseguição de toda gente.
Não terei a graça de um ser amigo que me proteja e defenda?

Logo após, surgiu gracioso passarinho e suplicou:

— Celeste Monarca, recebi a bênção da vida,
mas não tenho recursos para fazer meu ninho.
Nas pastagens rasteiras, não posso construir a casa…

Adiantou-se a Borboleta e implorou:

— Meu Deus, tudo é belo no mundo; todavia, onde repousarei?

Em último lugar, chegou o Rio e disse:

— Grande Senhor, venho cumprindo os meus deveres na Terra,
 escrupulosamente, mas preciso de alguém
 que me ajude a conservar as águas…

O Supremo Soberano ficou pensativo e prometeu providenciar.
No dia imediato, toda a Terra apareceu diferente.
As árvores robustas e acolhedoras haviam surgido,
representando a sublime resposta de Deus.

Neio Lucio
psicografia Chico Xavier
do Livro Alvorada Cristã

criado por tahyane    14:29 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

11 11UTC novembro 11UTC 2008

O Servidor Negligente

-Neio Lucio-

À porta de grande carpintaria, chegou um rapaz, de caixa às costas, à procura de emprego.
Parecia humilde e educado.
O diretor da instituição compareceu, atencioso, para atendê-lo.
— Tem serviço com que me possa favorecer? — indagou o jovem, respeitoso, depois das saudações habituais.
— As tarefas são muitas — elucidou o chefe.
— Oh! por favor! — tornou o interessado — meus velhos pais necessitam de amparo. Tenho batido, em vão, à porta de várias oficinas. Ninguém me socorre. Contentar-me-ei com salário reduzido e aceitarei o horário que desejar.
O diretor, muito calmo, acentuou:
— Trabalho não falta…
E, enquanto o candidato mostrava um sorriso de esperança, acrescentou:
— Traz suas ferramentas em ordem?
— Perfeitamente — respondeu o interpelado.
— Vejamo-las.
O moço abriu a caixa que trazia. Metia pena reparar-lhe os instrumentos.
A enxó se achava deformada pela ferrugem grossa.
O serrote mostrava vários dentes quebrados.
O martelo tinha cabo incompleto.
O alicate estava francamente desconjuntado.
Diversos formões não atenderiam a qualquer apelo de serviço, tal a imperfeição que apresentavam seus gumes.
Poeira espessa recobria todos os objetos.
O dirigente da oficina observou… observou… e disse, desencantado:
— Para o senhor, não temos qualquer trabalho.
— Oh! porquê? — interrogou o rapaz, em tom de súplica.
O diretor esclareceu, sem azedume:
— Se o senhor não tem cuidado com as ferramentas que lhe pertencem, como preservará nossas máquinas? se é indiferente naquilo em que deve sentir-se honrado, chegará a ser útil aos interesses alheios? quem não zela atentamente no “pouco” de que dispõe, não é digno de receber o “muito”. Aprenda a cuidar das coisas aparentemente sem importância. Pelas amostras, grandes negócios se realizam neste mundo e o menosprezo para consigo é indesejável mostruário de sua indiferença perniciosa. Aproveite a experiência e volte mais tarde.
Não valeram petitórios do moço necessitado. Foi compelido a retirar-se, em grande abatimento, guardando a dura lição.
Assim também acontece no caminho comum.
Quem deseja o corpo iluminado e glorioso na espiritualidade, além da morte, cuide respeitosamente do corpo físico.
Quem aspira à companhia dos anjos, mostre boas maneiras, boas palavras e boas ações aos vizinhos.
Quem espera a colheita de alegrias no futuro, aproveite a hora presente, na sementeira do bem.
E quantos sonharem com o Céu tratem de fazer um caminho de elevação na Terra mesma.

Neio Lúcio
por Chico Xavier
de Alvorada Cristã

criado por tahyane    17:26 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

19 19UTC setembro 19UTC 2008

A Galinha Afetuosa


-Neio Lúcio-

Gentil galinha, cheia de instintos maternais, encontrou um ovo de regular tamanho e espalmou as asas sobre ele, aquecendo-o carinhosamente. De quando em quando, beijava-o, enternecida. Se saia a buscar alimento, voltava apressada, para que lhe não faltasse calor vitalizante.
E pensava, garbosa: — "Será meu pintinho! será meu filho!"

Em formosa manhã de céu claro, notou que o filhotinho nascia, robusto.
Criou-o, com todos os cuidados. No entanto, em dourado crepúsculo de verão, viu-o fugir pelas águas de um lago, sobre as quais deslizava contente.

Chamou-o, como louca, mas não obteve resposta. O bichinho era um pato
arisco e fujão.

A galinha, desalentada por haver chocado um ovo que lhe não pertencia à
família, voltou muito triste, ao velho poleiro; todavia, decorrido algum tempo e encontrando outro ovo, repetiu a experiência.

Nova criaturinha frágil veio à luz. Protegeu-a, com ternura, dedicou-se ao
filho com todas as forças, mas, em breve, reparou que não era um pintinho
qual fora, ela mesma, na infância. Tratava-se dum corvo esperto que a deixou em doloroso abatimento, voando a pleno céu, para juntar-se aos escuros bandos de aves iguais a ele.

A desventurada mãe sofreu muitíssimo. Entretanto, embora resolvida a viver só. foi surpreendida, certo dia, por outro ovo, de delicada feição. Recapítulou as esperanças maternas e chocou-o.
Dentro em pouco, o filhote surgia. A galinha afagou-o, feliz, mas, com o transcurso de algumas semanas, observou que o filho já crescido perseguia ratos à sombra.
Durante o dia, dava mostras de perturbado e cego; no entanto, em se fazendo a treva, exibia olhos coruscantes que a amedrontavam.

Em noite mais escura, fugiu para uma torre muito alta e não mais voltou. Era uma coruja nova, sedenta de aventuras.
A abnegada mãe chorou amargamente. Porém, encontrando outro ovo,
buscou ampará-lo. Aninhou-se, aqueceu-o e, findos trinta dias, veio à luz
corpulento filhote. A galinha ajudou-o como pôde, mas, em breve, o filho revelou crescimento descomunal. Passou a mirá-la de alto a baixo. Fez-se superior e desconheceu-a. Era um pavãozinho orgulhoso que chegou mesmo a maltratá-la.

A carinhosa ave, dessa vez, desesperou em definitivo. Saiu do galinheiro
gritando e dispunha-se a cair nas águas de rio próximo, em sinal de protesto contra o destino, quando grande galinha mais velha a abordou, curiosa, a indagar dos motivos que a segregavam em tamanha dor.
A mísera respondeu, historiando o próprio caso.

A irmã experiente estampou no olhar linda expressão de complacência e
considerou, cacarejando:

— Que é isto, amiga? não desespere. A obra do mundo é de Deus, nosso
Pai. Há ovos de gansos, perus, marrecos, andorinhas e até de sapos e
serpentes, tanto quanto existem nossos próprios ovos. Continue chocando e ajudando em nome do Poder Criador; entretanto, não se prenda aos resultados do serviço que pertencem a Ele e não a nós, mesmo porque a escada para o Céu é infinita e os degraus são diferentes.

Não podemos obrigar os outros a serem iguais a nós, mas é possível auxiliar a todos, de acordo com as nossas possibilidades. Entendeu?

A galinha sofredora aceitou o argumento, resignou-se e voltou, mais calma,
ao grande parque avícola a que se filiava.

O caminho humano estende-se, repleto de dramas iguais a este. Temos filhos, irmãos e parentes diversos que de modo algum se afinam com as nossas tendências e sentimentos. Trazem consigo inibições e particularidades de outras vidas que não podemos eliminar de pronto.

Estimaríamos que nos dessem compreensão e carinho, mas permanecem imantados a outras pessoas e situações, com as quais assumiram inadiáveis compromissos.
De outras vezes, respiram noutros climas evolutivos. Não nos aflijamos, porém.

A cada criatura pertence a claridade ou a sombra, a alegria ou a tristeza do
degrau em que se colocou.

Amemos sem o egoísmo da posse e sem qualquer propósito de
recompensa, convencidos de que Deus fará o resto.

pelo espírito de Neio Lúcio
psicografia Chico Xavier
do Livro Alvorada Cristã

criado por tahyane    14:45 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

4 04UTC setembro 04UTC 2008

O Anjo da Limpeza

 

-Neio Lúcio-

Adélia ouvira falar em Jesus e tomara-se de tamanha paixão pelo Céu que nutria um desejo único — ser anjo para servir ao Divino Mestre.

Para isso, a boa menina fez-se humilde e crente, e, quando se não achava na escola em contacto com os livros, mantinha-se na câmara de dormir em preces fervorosas.

Cercava-se de lindas gravuras, em que os artistas do pincel lembram a passagem do Cristo entre os homens, e, em lágrimas, repetia: — “Senhor, quero ser tua! quero servir-te!…”

A Mãezinha, em franca luta doméstica, embalde convidava-a aos serviços da casa.
Adélia sorria, abraçava-se a ela e reafirmava o propósito de preparar-se para a companhia do Divino Amigo.
A bondosa senhora, observando que o ideal da filha só merecia louvores, deixava-a em paz com os estudos e orações de cada dia.

Meses correram sobre meses e a jovem prosseguia inalterável.
Orando sempre, suplicava ao Senhor a transformasse num anjo.
Decorridos dois anos de rogativas, sonhou, certa noite, que era visitada pelo Mestre Amoroso.

Jesus envolvia-se em vasta auréola de claridade sublime. A túnica luminosa, a cair-lhe dos ombros com graça e beleza, parecia de neve coroada de sol.

Estendendo-lhe a destra compassiva, o Cristo observou-lhe:

— Adélia, ouvi tuas súplicas e venho ao teu encontro. Desejas realmente servir-me?

— Sim, Senhor! — respondeu a pequena, inflamada de comoção jubilosa, convencida de que o Salvador a conduziria naquele mesmo instante para o Céu.

— Ouve! — tornou o Mestre, docemente.

Ansiosa de pôr-se a caminho do paraíso, a jovem replicou, reverente:

— Dize, Senhor! estou pronta!… Leva-me contigo, sinto-me aflita para comparecer entre os que retêm a glória de servir-te no plano celestial!…

O Cristo sorriu, bondoso, e considerou:

Não, Adélia. Nosso Pai não te colocou inutilmente na Terra. Temos enorme serviço neste mundo mesmo. Estimo tuas preces e teus pensamentos de amor, mas preciso de alguém que me ajude a retirar o lixo e os detritos que se amontoam, não longe de tua casa.

Meninos Cruéis prejudicaram a rede de esgoto, a pequena distância do teu lar. Aí se concentra perigoso foco de moléstias, ameaçando trabalhadores desprevenidos, mães devotadas e crianças incautas.

Vai, minha filha! Ajuda-me a salvá-los da morte. Estarei contigo, auxiliando-te nessa meritória tarefa.

A menina preocupada quis fazer perguntas, mas o Mestre afastou-se, de leve…Acordou sobressaltada. Era dia.

Vestiu-se à pressa e procurou a zona indicada. Corajosa muniu-se de desinfetantes, armou-se de enxada e vassoura pediu a contribuição materna, e o foco infeccioso foi extinto.

A discípula obediente, todavia, não parou mais.

Diariamente, ao regressar da escola, punha-se a colaborar com a Mamãe, em casa, zelando também quanto lhe era Possível pela higiene das vias públicas e ensinando outras crianças a serem tão Cuidadosas, quanto ela mesma.

Tanto trabalhou e se esforçou que, certo dia, o diretor do grupo escolar lhe conferiu o título de Anjo da Limpeza. Professoras e colegas comemoraram festivamente o acontecimento.

Chegada a noite, dormiu contente e sonhou que Jesus vinha encontrá-la, de novo.

Nimbado de luz, abraçou-a, com ternura, e disse-lhe brandamente:

— Abençoada sejas, filha minha! agora, que os próprios homens te reconhecem por benfeitora, agradeço-te os serviços que me prestas diàriamente. Anjo da Limpeza na Terra, serás Anjo de Luz no Paraíso.

Em lágrimas de alegria intensa, Adélia despertou, feliz, compreendendo, cada vez mais, que a verdadeira ventura reside em colaborar com o Senhor, nos trabalhos do bem, em toda parte.

pelo espírito de Neio Lúcio
Psicografia Chico Xavier
do Livro Alvorada Cristã

criado por tahyane    18:37 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

18 18UTC julho 18UTC 2008

O Elogio da Abelha


-Neio Lúcio-
 
Grande mosca verde-azul, mostrando envaidecida as asas douradas pelo Sol, penetrou uma sala e encontrou uma abelha humilde a carregar pequena provisão de recursos para elaborar o mel.

A mosca arrogante aproximou-se e falou, vaidosa:

— Onde surges, todos fogem. Não te sentes indesejável? Teu aguilhão é terrível.

— Sim — disse a abelha com desapontamento —, creia que sofro muitíssimo quando sou obrigada a interferir. Minha defesa é, quase sempre, também a minha morte.

— Mas não podes viver com mais distinção e delicadeza? — tornou a mosca — porque ferretoar, a torto e a direito?

— Não, minha amiga — esclareceu a inter-locutora —. não é bem assim.

Não sinto prazer em perturbar. Vivo tão somente para o trabalho que Deus me confiou, que representa benefício geral. E, quando alguém me impede a execução do dever, inquieto-me e sofro, perdendo, por vezes, a própria vida.

— Creio, porém, que se tivesses modos diferentes… se polisses as asas para que brilhassem à claridade solar, se te vestisses em cores iguais às minhas, talvez não precisasses alarmar a ninguém. Pessoa alguma te recearia a intromissão.

— Ah! não posso despender muito tempo em tal assunto — alegou a abelha criteriosa. — O serviço não me permite a apresentação exterior muito primorosa, em todas as ocasiões. A produção de mel indispensável ao sustento de nossa colméia, e necessária a muita gente, não me oferece ensejo a excessivos cuidados comigo mesma.

— Repara! — disse-lhe a mosca, desdenhosa — tuas patas estão em lastimável estado…

— Encontro-me em serviço — explicou-se a operária humildemente.
Não! não! — protestou a outra — isto é monturo e relaxamento.
E limpando caprichosamente as asas, a mosca recuou e aquietou-se, qual se estivesse em observação.

Nesse instante, duas senhoras e uma criança penetraram o recinto e, notando a presença da abelha que buscava sair ao encontro de companheiras distantes, uma das matronas gritou, nervosa:

— Cuidado! cuidado com a abelha! Fere sem piedade!…

A pequenina trabalhadora alada dirigiu-se para o campo e a mosca soberba passou a exibir-se, voando despreocupada.— Que maravilha! — exclamou uma das senhoras.

— Parece uma jóia! — disse a outra.

A mosca preguiçosa planou… planou… e, encaminhando-se para a copa, penetrou o guarda-comida, deitando varejeiras na massa dos pastéis e em pratos diversos que se preparavam para o dia seguinte. Acompanhou a criança, de maneira imperceptível, e pousou-lhe na cabeça, infeccionando certa região que se achava ligeiramente ferida.

Decorridas algumas horas, sobravam preocupações para toda a família. A encantadora mosca verde-azul deixara imundície e enfermidade por onde passara.

Quantas vezes sucede isto mesmo, em plena vida?

Há criaturas simples, operosas e leais, de trato menos agradável, à primeira vista, que, à maneira da abelha, sofrem sarcasmos e desapontamentos por bem cumprir a obrigação que lhes cabe, em favor de todos; e há muita gente de apresentação brilhante, quanto a mosca, e que, depois de seduzir-nos a atenção pela beleza da forma, nos deixa apenas as larvas da calúnia, da intriga, da maldade, da revolta e do desespero no pensamento.

pelo espírito de Neio Lúcio
Psicografia Chico Xavier
do Livro Alvorada Cristã
 

criado por tahyane    13:21 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

1 01UTC abril 01UTC 2008

A Serva Escandalizada

 

Ante as exclamações de Dalila, a esposa de Azor, o tecelão, quanto às maldades de alguns publicanos de mau nome que a haviam desrespeitado, em praça pública, justamente quando procurava praticar o bem, relatou Jesus, com simplicidade:

— Piedosa mulher, desejando ser mensageira do Reino Divino na Terra, bateu às portas do Paraíso, rogando trabalho.

Foi atendida, cuidadosamente, por um anjo que lhe recomendou visitasse uma taberna para salvar dois homens bons, desprevenidos, que se haviam deixado embriagar, dominados por insinuações insufladas por Espíritos das trevas.

No dia seguinte, porém, a enviada reapareceu, chorosa, explicando ao Ministro do Eterno que lhe não fora possível satisfazer-lhe à determinação, porque o recanto indicado jazia repleto de jogadores a trocarem palavras obscenas e cruéis.

O anjo, então, mandou-a a um esconderijo em floresta próxima, a fim de socorrer uma criança desamparada.

No outro dia, porém, a emissária regressou, alegando que não lhe fora exeqüível o trabalho porque a furna ocultava vários homens e mulheres seminus a lhe ferirem o pudor feminino.

O Administrador Celeste, sem desanimar, designou-a para auxiliar uma senhora agonizante, mas, decorridas poucas horas, a colaboradora voltou, ruborizada, ao ponto de origem, informando de que não pudera nem mesmo penetrar o quarto da enferma, porque na antecâmara o esposo da doente, palestrando com certa mulher de baixa procedência, projetava um assassínio para a noite próxima.

O prestimoso Ministro do Alto, embora com algum desapontamento, determinou-lhe o auxílio a dois homens dementes situados em extenso vale de imundos.

No dia imediato, a serva escandalizada retornava, célere, esclarecendo que não conseguira alcançar o objetivo, porquanto os loucos viviam impressionados com cenas de vida impura, a lhe causarem extrema repugnância.

O Preposto do Altíssimo, depois de ouvi-la com manifesta estranheza, pediu-lhe amparar uma jovem que se achava em perigo, mas, em breve, regressava a cooperadora sensitiva, exclamando que a criatura mencionada podia ser vista numa festa desregrada, em repulsiva condição moral.

E assim a candidata ao trabalho celeste atravessou a semana, inutilmente, cultivando a ineficiência, sob variados pretextos.

Todavia, procurando de novo o anjo para solicitar-lhe serviço, dele ouviu a exortação de que se fizera merecedora:

— Minha irmã, continue, por enquanto, desenvolvendo o seu esforço nas vulgaridades da Terra.

— Oh! e por quê? — indagou, perplexa. — Não mereço abeirar-me da vida mais alta?

— Seus olhos estão cheios de malícia — elucidou o Ministro, tolerante —, e, para servir ao Senhor, o servo do bem retifica o escândalo, com amor e silêncio, sem se escandalizar.

Calou-se o Mestre por minutos longos; depois, concluiu sem afetação:

— Quem se demora na contemplação do mal, não está em condições de fazer o bem.

Os circunstantes entreolharam-se, espantadiços, e a oração final do culto doméstico foi pronunciada, enquanto, lá fora, a Lua muito alva, desfazendo a treva noturna, simbolizava radioso convite do Céu ao sublime combate pela vitória da luz.

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JESUS NO LAR
PELO ESPÍRITO DE NEIO LÚCIO
CHICO XAVIER
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criado por tahyane    14:07 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

10 10UTC março 10UTC 2008

O Auxílio Mútuo

O Auxílio Mútuo

Diante dos companheiros, André leu expressivo trecho de Isaías e falou, comovido, quanto às necessidades da salvação.

Comentou Mateus os aspectos menos agradáveis do trabalho e Filipe opinou que é sempre muito difícil atender à própria situação, quando nos consagramos ao socorro dos outros.

Jesus ouvia os apóstolos em silêncio e, quando as discussões, em derredor, se enfraqueceram, comentou, muito simples:

— Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno.

Um deles fixou o singular achado e clamou, irritadiço: — “Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente”.

O outro, porém, mais piedoso, considerou:

— “Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade”.

— “Não posso — disse o companheiro, endurecido —, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos ganhar a aldeia próxima sem perda de minutos”.

E avançou para diante em largas passadas.

O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.

A chuva gelada caiu, metódica, pela noite a dentro, mas ele, sobraçando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresa porém, não encontrou aí o colega que o precedera. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida, num desvão do caminho alagado.

Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoística de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento, enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, guardando-se indene de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo… Ajudando ao menino abandonado, ajudava a si mesmo avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços da senda, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.

A história singela deixara os discípulos surpreendidos e sensibilizados.

Terna admiração transparecia nos olhos úmidos das mulheres humildes que acompanhavam a reunião, ao passo que os homens se entreolhavam, espantados.

Foi então que Jesus, depois de curto silêncio, concluiu expressivamente:

— As mais eloqüentes e exatas testemunhas de um homem, perante o Pai Supremo, são as suas próprias obras. Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que socorremos converter-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ninguém duvide.

Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum. Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina.

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JESUS NO LAR
PELO ESPÍRITO DE NEIO LÚCIO
CHICO XAVIER
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criado por tahyane    18:14 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:
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