Além da Terra, Nas Estrelas…

Mensagens espiritualistas

26 26UTC janeiro 26UTC 2009

A Casca de Banana

 
-Irmão X-

Secundino renasceria entre os homens p
ara socorrer crianças desamparadas, e, para isso,
organizou-se-lhe grande missão no Plano Espiritual.

Deteria consigo determinada fortuna,
 a fortuna produziria trabalho,
o trabalho renderia dinheiro e o dinheiro
lhe forneceria recursos para alimentar,
vestir e educar duas mil criaturinhas sem
refúgio doméstico.

Atendendo à empreitada,
Lizel, o instrutor desencarnado
que o seguiria entre os homens, darlhe-ia,
em tempo devido, o necessário suprimento de inspirações.

Estariam juntos, e Secundino, internado no corpo terrestre,
assimilaria as idéias que o mentor lhe assoprasse.

A experiência começou, assim, promissora…
Da infância à mocidade, o tarefeiro parecia
encouraçado contra a doença.

Extravagante como ninguém, descia, suarento,
de vigoroso cavalo do sítio paterno, mergulhando no sorvete,
sem qualquer choque orgânico, e ingeria frutos deteriorados,
como se possuísse estômago de resistência invencível.

Em todas as particularidades da luta,
contava com a afeição de Lizel, e, muito cedo,
viu-se em contacto com o amigo espiritual,
que não só lhe aparecia em sonhos, como também
através dos médiuns, com os quais entrasse em sintonia.

O benfeitor falava-lhe de crianças perdidas,
pedia-lhe proteção para crianças sem rumo, rogava-lhe,
indiretamente, a atenção para o noticiário
sobre crianças ao desabrigo.

E tanto fez Lizel que Secundino
planeou o grande cometimento.
Seria, sim, o protetor dos meninos desamparados…

Entretanto, considerando as necessidades
do serviço, pedia dinheiro em oração.
E o dinheiro chegou, abundante…

Ao influxo do amor providenciai de Lizel,
sentia-se banhado em ondas de boa sorte…
Explorou a venda de manganês e ganhou dinheiro,
 negociou imóveis e atraiu dinheiro, comprou uma
fazenda e fez dinheiro, plantou café e ajustou dinheiro…

Começou, porém, a batalha moral.
Lizel falava em crianças e Secundino falava em ouro.

– “Protegeria a infância desditosa – meditava, convicto – ;
contudo, antes, precisava escorar-se, garantir a família,
 assegurar a tranquilidade e arranjar cobertura.”

Casado, organizou fortuna para a mulher
para o pai, acumulou fortuna para os filhos
e para o sogro, amontoou riquezas para noras e genros,
e, avô, adquiriu bens para os netos…

Porque tardasse demais na execução dos compromissos,
a Esfera Superior entregou-o à própria sorte.

Apenas Lizel o seguia, generoso.
E seguia-o arrasado de sofrimento moral,
assinalando-lhe frustração.

Secundino viciara-se nos grandes lances
da vantagem imediata e algemara-se
francamente idéia do lucro a qualquer preço.

Lembrava os antigos projetos como sonhos da mocidade…

Nada de assistência a menores abandonados,
 que isso era obra para governos…
Queria dinheiro, respirava dinheiro,
mentalizava novas rendas e trazia
a cabeça repleta de cifras.

Lizel, apesar disso, acompanhava-o, ainda…
Agoniava-se para que Secundino voltasse a pensar
nos meninos sem ninguém…

Ansiava por rever-lhe o ideal de outra época!…
Tudo seria diferente se o pobre companheiro
 despertasse para as bênçãos do espírito!…

Aconteceu, no entanto, o inesperado.
Ao descer de luzido automóvel para estudar
 o monopólio do leite, Secundino não percebe
pequena casca de banana estendida no chão.

Lizel assinala o perigo, mas suplica em vão
 o auxílio de outros amigos espirituais.
O negociante endinheirado pisa em cheio
no improvisado patim, perdendo o equilíbrio
em queda redonda.

Fratura-se a cabeça do fêmur e surge
a internação no hospital ; contudo, o coração cansado
não corresponde aos imperativos do tratamento.

Aparece a cardiopatia, a flebite, a trombose e,
por fim, a uremia…

No leito luxuoso, o missionário frustrado
pensa agora nas criancinhas enjeitadas,
experimentando o enternecimento do princípio…

Chora. Quer viver mais tempo na Terra para
realizar o grande plano. Apeia para Deus
e para Lizel, nas raias da morte…

Seu instrutor, ao notar-lhe o sentimento puro,
 chora também, tomado de alegria…
No entanto, emocionado consegue dizer-lhe apenas :

- Meu amigo! Meu amigo!….
Agradeçamos ao Senhor e à casca de banana
a felicidade do reequilíbrio!…
Seu ideal voltou intacto,
mas agora é tarde…
Esperemos que o berço lhe seja o propício…

pelo espírito de Irmão X
psicografia Chico Xavier
do Livro Contos Desta e Doutra Vida

criado por tahyane    15:08 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

18 18UTC setembro 18UTC 2008

Carta Despretensiosa

 
-Irmão X-

Meu caro. Recebi seus apontamentos.
Sei que me não aceitará a resposta com o desejável entendimento. Se ainda me guarda na lembrança, não me tolera a sobrevivência.

Ler-me-á as palavras, longe daquele acolhimento afetivo da época em que me afundava num escafandro igual ao seu, sob o denso mar do oxigênio terrestre.

Receber-me-á o esforço de agora com extremo espírito crítico. Buscará saber, antes de mais nada, se empreguei os verbos acertadamente e se pontuei a missiva com a
elegância necessária.

Provavelmente dirá que meus recursos empobreceram, que minha argumentação não
convence.

Vamos, contudo, às suas ponderações.

Afirma você que os espíritas desencarnados, pelo noticiário que fornecem ao mundo, se movimentam num plano absolutamente irreal.

A seu ver, moramos em casas ilusórias, cuidamos de instituições que não existem, colhemos flores e frutos de mentira e pairamos, como sombras, num campo de fantasia.

E acrescenta que, para ajuizar de nossa situação, toma por base o mundo em que pisa.

Na apreciação que lhe orienta os conceitos, a esfera em que você ainda respira é a mais sólida de toda a estruturação universal.

Coisa alguma sofre modificação ao redor de seus passos, segundo a posição especialíssima em que se coloca.

Se me demorasse por aí, talvez experimentasse amnésia idêntica. Basta dizer-lhe que enquanto carreguei o fardo benéfico da carne era eu perfeito desmemoriado em relação aos meus próprios defeitos.
E, quanto às minhas necessidades essenciais, nunca atentei para o tempo que corria, célere, em torno de mim.

Quando os amigos me atiraram terra e cal ao corpo inerme, foi que meditei na transitoriedade das situações e das coisas.

Reportei-me então à infância distanciada e revi nossa aldeia do Norte, perseguida pela areia invasora.
Casario e arvoredo converteram-se, pouco a pouco, num montão de ruínas.

Companheiros de jogas infantis desapareceram. Alguns haviam partido à procura de cidades fascinantes, outros jaziam
submersos na neblina da sepultura.

Reajustou-se-me a memória, gradativamente, e tornei, pelos olhos da imaginação, à casa que me viu nascer.

A morte brandira, ali, sua foice enorme, a torto e a direito. A doença lavrara por lá, copiando o fogo em pastagem alcantilada.

Transformações não tinham conta. O padeiro falecera de uma noite para o dia, vencido por um insulto cerebral.

A lavadeira que residia em frente de nós, mulher robusta e desassombrada, repentinamente passou a usar muletas, em razão da perna quebrada.

Nossos vizinhos, de tempos a tempos, trajavam rigoroso luto, homenageando parentes mortos; e até o padre mais velho, que despendia semanas, transmitindo-nos o
catecismo, certa manhã se deixou transportar para o cemitério, quando menos esperávamos.

Tudo se modificava, de hora a hora, até que nos separamos a fim de rever-nos, mais tarde, na Capital da República.

Você fazia o possível por ocultar os males do estômago e eu dissimulava habilmente as perturbações do sistema endócrino.

Seu rosto não era o mesmo. Rugas surpreendentes marcavam-no todo. Seus cabelos, que conhece finos, sedosos e abundantes, estavam ralos e encanecidos.

Seus olhos fitavam-me com firmeza, todavia, injetados de sangue. As mãos bem cuidadas não mostravam a despreocupação do princípio; entretanto, revelavam-se pesadas e grossas, exibindo veias salientes.

Certo, você notou profunda mudança em mim, mas a gentileza lhe asfixiou as observações pessimistas que procurei calar igualmente por minha vez.

E as moças que cortejáramos noutra época, enlevados na paisagem do berço? Algumas
delas, no Rio, embalde tentavam recursos contra a jornada implacável da Natureza.

Eram quase irreconhecíveis. Odontólogos exímios não lhes restauravam a boca que namoramos, embevecidos, nos primeiros arroubos da juventude.

Surgiam na avenida, assim como nós ambos, procurando farmácias para, o reumatismo iniciante.

A morte, meu caro, teve o condão de acordar-me as reminiscências.

E considerando a amizade que sempre nos ligou, no cenário humano, rememoro, saudoso, sua própria felicidade longínqua…

Não ignoro que você perdeu os pais, a esposa inesquecível e o filho mais novo que lhe era particularmente querido pelas afinidades sentimentais.

Em dez anos, você mudou de residência quinze vezes, procurando alívio para o coração angustiado, irremediavelmente enfermo…

Seus olhos permanecem fixos no pretérito e, identificado com a sua dor de peregrino, cheio de ouro e vazio de paz, lembro-me, saudosamente, até mesmo de seu belo papagaio que nos divertia, faz quase trinta anos, gritando os nomes de políticos influentes da hora…

Desejaria confortá-lo, revivê-lo, mas… você, apesar de batido pelam desilusões e renovações incessantes, está convencido de que vive no plano mais sólido e inamovível do Universo e acredita que eu seja um vagabundo invisível a contar anedotas destinadas à ingenuidade humana.

Você, homem de carne e osso, declara-se imutável e assevera que não passo de sombra
a voltar do país da morte.

Como poderá um fantasma consolar um homem seguro de ai, a ponto de julgar-se intangível?

Decididamente, você tem toda a razão.

pelo espírito de Irmão X
Psicografia Chico Xavier
do Livro Luz Acima

criado por tahyane    10:38 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

17 17UTC agosto 17UTC 2008

As Tres Orações

-Irmão X-

Instado pela assembléia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese:

-Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos popularesde numerosos países

. Em grandes bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes.

A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu.

Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições.

Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis.

Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade.

Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!

. Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros;

a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos por encomenda;

e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores.

As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham .

No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas .

A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo;

a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos;

e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial.

Simão silenciou, comovido.

E, depois de longa pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto:

-Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

Irmão X
psicografia Chico Xavier
em à Luz da Oração

criado por tahyane    11:07 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:

18 18UTC junho 18UTC 2008

Pureza em Branco

pelo Espirito de Irmão X

Quando Anésio Fraga deixou o corpo físico, ele, que fora sempre considerado puro entre os homens, atingiu a Fronteira do Mundo Espiritual à semelhança de um lírio, tal a brancura de sua bela vestimenta.

Pretendia viver nas Esferas Superiores, respirar o clima dos anjos, alçar-se às estrelas e comungar a presença do Cristo – explicou ao agente espiritual que atendia ao policiamento  da passagem para os excelsos Planos da Espiritualidade.

O zeloso funcionário, contudo, embora demonstrasse profundo respeito para com a sua apresentação, submeteu-o a longo teste, findo o qual, não obstante desapontado, explicou  que lhe não seria possível avançar.

Faltavam-lhe requisitos para maior ascensão.

– Eu? eu? – gaguejou Anésio, aflito. – Como pode ser isso? Fui na Terra um homem que observou todas as regras do Santo Caminho.

– Apesar de tudo… – falou o fiscal, reticencioso.

– Não me conformo, não me conformo! – reclamou o candidato à glória divina.

E sacando do bolso uma lista, exclamou agastado:

– Pensando na hipótese de alguma desconsideração, resumi em dez itens o meu  procedimento irrepreensível no mundo.

E leu para o benfeitor calmo e atento:

– Respeitei todas as religiões.
– Cultivei o dom da prece.
– Acreditei no poder da caridade.
– Nunca aborreci os meus semelhantes.
– Confiei sempre no melhor.
– Calei toda palavra ofensiva ou desrespeitosa.
– Calculei todos os meus passos.
– Jamais procurei os defeitos do próximo.
– Evitei o contacto com todas as pessoas viciadas.
– Vivi em minha casa preocupado em não ser percalço na estrada alheia.

O mordomo da Grande Porta, no entanto, sorriu e comentou :

– Fraga, você leu as afirmações, esquecendo as demonstrações.
– Como assim ?
O amigo paciente apanhou uma ficha e esclareceu que o Plano Espiritual possuía também apontamentos para confronto e solicitou-lhe a releitura da lista.

Principiou Anésio :

– Respeitei todas as religiões…
E o examinador acentuou, conferindo as anotações :
– Mas não serviu a nenhuma.

– Cultivei o dom da prece…
– Somente em seu próprio favor.

– Acreditei no poder da caridade…
– Todavia, não a praticou.

– Nunca aborreci os meus semelhantes…
– Entretanto, não auxiliou a quem quer que fosse.

– Confiei sempre no melhor…
– Mas apenas em seu benefício.

– Calei toda palavra ofensiva ou desrespeitosa…
– Não se lembrou, porém, de falar aquelas que pudessem amparar os necessitados de consolo e esperança.

– Calculei todos os meus passos…
– Para não ser molestado.

– Jamais procurei os defeitos do próximo…

– Contudo, não lhe aproveitou os bons exemplos.

– Evitei o contacto com todas as pessoas viciadas…
– Atendendo ao comodismo.

– Vivi em minha casa preocupado em não ser percalço na estrada alheia…
– Simplesmente para não ser chamado a tarefas de auxílio…

Anésio, desencantado, silenciou, mas o benfeitor esclareceu, sem afetação :

– Meu amigo, meu amigo! não basta fugir ao mal. É preciso fazer o bem. Você movimenta-se em branco, veste-se em branco, calça em branco e brilha em branco, mas a sua existência na Terra passou igualmente em branco… Volte e viva!

Angustiado, Anésio perdeu o próprio equilíbrio e rolou da Altura na direção da Terra…

Do livro Contos Desta e Doutra Vida
pelo espírito de Irmão X
Psicografia Chico Xavier

criado por tahyane    16:52 — Arquivado em: Chico Xavier — Tags:
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