23 23UTC janeiro 23UTC 2009
Ante o Sol Eterno

“Vim trazer fogo à Terra” – disse-nos o Senhor.
Semelhantes palavras do Divino Mestre
podem induzir o discípulo invigilante
aos mais estranhos pensamentos.
É preciso, porém, exumar o espírito da letra,
na alimentação de nossas almas, tanto quanto,
no fruto, para o serviço da refeição,
liberamos a polpa do envoltório que a constringe.
Jesus não se propunha ombrear
com o petroleiro comum, intérprete da indisciplina
e do desespero.
Cristo trazia-nos calor ao espírito enregelado
na indiferença e no vício de séculos incessantes…
Chama viva para extinguir as trevas
de nosso passado obscuro e delituoso,
lume para clarear a senda que nos cabe trilhar
nos sacrifícios do presente, a caminho do grande
porvir que a vida nos reserva…
Flama de brio restaurador com que nos cabe
atender aos compromissos esposados
no esforço regenerativo e braseiro rubro
de responsabilidade, que, situado no campo
de nossa consciência, impeça a germinação
ou o crescimento do joio venenoso da crueldade
e do ódio…
Labareda de fé renovadora,
suscetível de purificar-nos o sentimento
e soerguê-lo à prática da caridade genuína,
e pira ardente de amor que nos aprume a alma
arrojada ao pó de velhas desilusões,
a fim de que possamos penetrar, como filhos de Deus,
o santuário de nossa sublimação para a divina imortalidade…
Se ouviste, pois, a palavra de Jesus,
decerto conduzes contigo não mais o frio do desânimo
ou a paralisia da ociosidade e da queixa,
porque terás inflamado o próprio coração,
ao sol glorioso da compreensão e do trabalho incessantes,
única força capaz de levantar-nos, enfim,
do antigo vale de negação e da morte.
***
C. Dossi, em “Note Azzurre 4.265”:
El último peldaño de adversa fortuna
es el primero de la próspera.
O derradeiro degrau da escada da desgraça,
pode ser o primeiro da felicidade.
Emmanuel/Chico Xavier
do Livro Escrínio de Luz
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