21 21UTC dezembro 21UTC 2008
Humildade Celeste
-Emmanuel-
Ninguém mais humilde que Ele,
o Divino Governador da Terra.
Podia eleger um palácio para a glória do nascimento,
mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples.
Podia reclamar os princípios da cultura
para o seu ministério de paz e redenção;
contudo, preferiu pescadores singelos
para instrumentos sublimes do seu verbo de luz.
Podia articular defesa irresistível
a fim de dominar a governança política;
no entanto, preferiu render-se à autoridade,
presente em sua época, ensinando que o homem
deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence,
e a Deus o que é de Deus.
Podia banir de pronto do colégio apostólico
o amigo invigilante, mas preferiu que Judas
conseguisse os seus fins, lamentáveis e excusos,
descerrando-lhe aos pés o caminho melhor.
Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna,
sem voltar-se jamais ao convívio humilhante
daqueles que o feriram nos tormentos da cruz;
no entanto, preferiu regressar para o mundo,
estendendo de novo as mãos alvas e puras
aos ingratos da véspera.
Podia constranger o espírito de Saulo
a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe
qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar,
meditar e servir, em favor de si mesmo.
Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste,
pela qual aprendemos que, quanto mais poder,
mais amplo o trilho augusto aberto
às nossas almas para que nos façamos,
não apenas humildes pelos padrões da Terra,
mas humildes enfim pelos padrões de Deus.
Emmanuel/Chico Xavier
do Livro Antologia Mediúnica do Natal
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