11 11UTC novembro 11UTC 2007
EvoluÃdos sentem raiva só por um minuto

Emilce Shrividya Starling
-Professora de Hatha Yoga -
As escrituras do yoga dizem que uma pessoa evoluída
conserva sua raiva por um minuto;
uma pessoa comum conserva-a por meia hora
e uma pessoa ainda não evoluída
conserva sua raiva por um dia e uma noite.
Mas uma pessoa cheia de mágoas
lembra-se de sua raiva até morrer.
É humano sentir raiva, faz parte de nossa evolução,
mas devemos esquecê-la rapidamente.
Não devemos alimentá-la nos lembrando dela,
nem remoendo acontecimentos passados,
porque a raiva causa uma grande inquietude interior.
Somos as primeiras vítimas de nossa própria raiva.
Ela nos queima por dentro, tirando nossa paz;
obscurece nossos pensamentos, distorce nossas percepções.
A raiva acumulada, guardada um pouco aqui e ali,
nos prejudica muito e nos afasta de Deus,
de nossa verdadeira essência divina,
de nossa bondade e compaixão.
As pessoas pensam que alguém ou algo lhes provoca raiva,
mas essa raiva já existe dentro delas,
é criada e mantida por elas.
Se você sente raiva, não pode culpar a ninguém
a não ser você mesmo.
Aprenda a lidar com a raiva
É necessário aprender a lidar com a raiva
e nos livrar de seus efeitos negativos tanto físicos,
mentais e espirituais.
Como o desejo está muito ligado à raiva,
é importante quando sentimos raiva perguntar
a nós mesmos o que queremos desta situação
que não estamos conseguindo.
Isto cria uma mudança em nosso foco.
E em vez de ficarmos presos na raiva, nós a observamos.
E logo depois, podemos perguntar a nós mesmos
de que outra maneira podemos conseguir o que queremos.
E podemos perceber que idéias alternativas surgem na mente
e isto melhora nossa frustração e diminui a raiva.
Existem pessoas que gostam de ficar com raiva.
Sentem satisfação, poder e liberdade
quando têm explosões de raiva.
Acham que até aliviam as tensões,
mas depois se culpam e lutam para controlar isso.
Ajudaria muito se elas entendessem que mesmo
que possam sentir alívio no momento, isto não funciona.
A raiva apenas escraviza, e é prejudicial tanto fisicamente,
psicologicamente e espiritualmente.
Porém existem momentos que a raiva é incontrolável
e nem temos tempo de nos fazer perguntas sobre o que queremos.
Nesses momentos, não é possível sentir desapego,
ficamos presos completamente. O que podemos fazer?
A melhor saída é sair da situação, dar uma volta,
se afastar do ambiente ou da pessoa, tomar um copo de água,
respirar algumas vezes profundamente, lembrar-se de Deus.
Depois quando nos acalmarmos, podemos voltar e
lidar com o assunto de uma maneira mais equilibrada,
sem ofender e magoar-nos; sem nos desequilibrar.
Quando falamos de uma maneira tranqüila sem raiva,
o outro pode até nos entender e ouvir melhor,
mas quando falamos com raiva só criamos
mais conflitos e desarmonia.
Para se afastar no momento da discussão
ou apenas ficar calado até se acalmar é necessário humildade.
Quando estamos com muita raiva, queremos
que a outra pessoa admita que está errada e isto é orgulho.
Esse orgulho impede que nos acalmemos.
Mas se você admitir que dissolver a raiva
é mais importante do que provar que o outro está errado,
você sente a humildade que lhe liberta da tirania da raiva.
Todos os inimigos internos alimentam uns aos outros
e se estamos presos no orgulho é mais difícil lidar com a raiva.
A humildade nos ajuda a testemunhar
o que está acontecendo dentro de nós.
Em vez de guardamos raiva por horas, ou dias,
podemos largá-la logo e evitar assim
muitos momentos de sofrimento.
Basta não alimentarmos essa raiva, não remoendo
e lembrando acontecimentos passados.
Se voltarmos nossa atenção para outras coisas
e para o momento presente, ficamos livres da raiva
e podemos ter momentos felizes.
A raiva acumulada desde a infância
gera a depressão que tira a alegria de viver.
Hoje em dia muitos médicos receitam remédios
para depressão que podem até aliviar um pouco os sintomas,
mas enquanto a pessoa não for na causa
verdadeira da depressão, ela vai ficar sempre
dependente e triste, pois depressão é uma doença da alma.
"Aquele que é capaz de suportar, aqui na terra,
a agitação que resulta do desejo e da raiva,
é disciplinado; ele é verdadeiramente um homem feliz."
Cultive emoções positivas
Porém não podemos nos libertar da raiva
simplesmente suprimindo-a.
É necessário cultivar com constância
os antídotos da raiva: a tolerância e a paciência.
Perceba em sua vida os efeitos benéficos da tolerância
e da paciência e perceba também os efeitos destrutivos
e negativos da raiva, dos ressentimentos e mágoas.
Estas contemplação e conscientização
vai lhe motivar a desenvolver esses sentimentos
de tolerância, paciência e aceitação além de fazer
com que você tenha mais cuidado
em não alimentar pensamentos de raiva.
Para ficarmos livres desse inimigo interno
tão destrutivo que surge de uma mente insatisfeita
e descontente, é essencial gerar o contentamento interior,
a gratidão e o entusiasmo; cultivar a bondade,
a benevolência e a compaixão.
Isto vai produzindo serenidade mental
que impede a raiva de se manifestar.
A prática regular da meditação nos ajuda muito
a dissolver a raiva e transformá-la em paciência, aceitação,
e o perdão surgirá espontaneamente.
Com o perdão podemos abandonar os sentimentos
negativos associados aos acontecimentos passados
nos livrando das sensações de raiva e ressentimentos.
Fique em paz!
Emilce Shrividya Starling
-Professora de Hatha Yoga -
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