19 19UTC outubro 19UTC 2007
CrÃticas Certeiras

-Malvar Fonseca-
Há aspectos do nosso comportamento que nos escapam porque temos dificuldade em ver-nos a nós próprios.
O olho que enxerga a quilômetros de distância não enxerga o outro olho que tem ao lado. Os outros nos vêem melhor, sobretudo as pessoas que convivem conosco. Detectam coisas que nos passam por alto por subjetivismo ou imediatismo.
É preciso pensar, por exemplo, por que razão coisas bem intencionadas e objetivamente boas que fazemos, às vezes, produzem efeitos contrários ao que esperávamos?
Matamo-nos de trabalhar pela família, chegamos à casa tarde e cansados, e a família não só não nos agradece, mas nos critica.
Somos pessoas extremamente ordenadas, mas os amigos e os familiares nos dizem que somos egoístas e indisponíveis. Ou não temos o sentido da verdadeira hierarquia e proporção no cumprimento de todo 0 arco-íris dos nossos deveres.
É o caso da mãe de família com filhos pequenos, a quem a limpeza e a ordem da casa absorvem totalmente, porque da manhã até à noite vive repondo no seu lugar e limpando as coisas que os filhos sujam ou desarrumam.
Está fazendo uma coisa boa e, no entanto, o marido ou as amigas lhe dizem que é perfeccionista, que o que faz é prejudicar a atenção e o carinho de que os filhos necessitam.
É preciso abrir-se a essas críticas, descer do pedestal em que às vezes nos colocamos e pensar que, quando mais parece que temos razão, mais devemos desconfiar de que podemos não ter nenhuma.
Essas críticas, por muito que nos humilhem ou transtornem, devem representar, num segundo momento, um convite à reflexão, pois serão uma pista valiosa para descobrirmos o que há de errado ou incompleto na nossa maneira de ser.
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Autor: Malvar Fonseca
de Conhecer-se
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